Só é vencido quem desiste de lutar

19
Mai 15

O Acordo de Parceria formalizado entre Portugal e a Comissão Europeia para aplicação dos FEII que define e concretiza a política de desenvolvimento económico, social e territorial a promover entre 2014 e 2020, está a dar os primeiros passos.

Um dos princípios estabelecidos no documento é o da orientação para os resultados prevendo que a contratualização dos Fundos se faça com base nos resultados a alcançar com os investimentos, com as consequentes implicações financeiras ao nível dos pagamentos finais, em caso de incumprimento.

Esta lógica vai no sentido de uma maior responsabilização do Beneficiário face aos propósitos que se propõe alcançar, o que representa uma importante evolução no que concerne a garantir maior eficácia na aplicação das ajudas e facilitar que os objectivos gerais dos respectivos Programas sejam alcançados.

Contudo, não há bela sem senão.

Tal como ocorreu no processo que conduziu à definição dos Programas Temáticos e Regionais, em que foi estipulado um pacote financeiro global que, posteriormente, foi alocado às respectivas prioridades de investimento, também ao nível das Estratégias de Desenvolvimento Local integradas no DLBC – Desenvolvimento Local de Base Comunitária, deveria ser aplicado o mesmo procedimento.

Com efeito, como poderão os territórios rurais definir as suas Estratégias, prioridades e, principalmente, quantificar os resultados a que se propõem, sem o prévio conhecimento do orçamento de que serão beneficiários ou, pelo menos, das regras que conduzirão à sua atribuição, sabendo que essas Estratégias não se coadunam com lógicas de competitividade entre si?

Na fase em que se encontra o processo de qualificação das parcerias locais responsáveis pelo instrumento DLBC, é mais que oportuno encontrar um quadro que, desde já, concretize os meios que estarão à disposição de cada território, considerando as suas especificidades geográficas e demográficas, incluindo factores de promoção da coesão territorial.

De modo a salvaguardar o cumprimento do princípio associado aos resultados, defendo que o orçamento-base agora definido, possa ser confirmado e alvo dos correspondentes ajustamentos, positivos ou negativos, em sequência do processo de avaliação a realizar em 2017, obrigando os territórios a aplicarem as suas competências para dar corpo aos resultados propostos inicialmente, de modo a poderem beneficiar de reforço de meios que lhes permitam ampliar o seu impacto.

Elaborar uma estratégia territorial para um período de 6 anos, na qual as mutações conjunturais exercem uma forte influência, sem conhecer os meios concretos para a sua implementação, torna-se num exercício de elevado risco, comparado ao de assumir cozinhar uma omelete para determinado número de pessoas, sem saber o número de ovos disponíveis.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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05
Mai 15

É sempre gratificante participar em acções de apresentação de novas iniciativas empresariais na Beira Serra, pela importância e esperança que transportam para a construção de um futuro mais promissor para este território e pelo contributo para a criação de riqueza e novos postos de trabalho, ingredientes essenciais para a fixação da população que aqui deseja concretizar o seu projecto de vida.

Contudo, este acto mais significativo se torna quando o investimento resulta da determinação e do querer de um jovem que acreditando nas suas capacidades e competências, não desiste perante as contrariedades da vida nem aguarda que outros resolvam os seus problemas. Pelo contrário, teve a coragem de assumir o risco de investir numa actividade tradicional para criar o seu próprio emprego.

O exemplo do Henrique Francisco, que recentemente implementou um pequeno negócio na arte de sapateiro na vila de Góis, é elucidativo de que ainda existem empreendedores na verdadeira acepção da palavra, ou seja, que tornam em realidade os seus sonhos, aproveitando, com humildade, as oportunidades que lhe surgem e contrariando uma atitude de resignação que ainda está excessivamente presente na nossa sociedade.

Esta iniciativa merece tanto mais destaque quanto o facto do único apoio recebido ter sido a transmissão dos saberes por parte do seu pai e a disponibilidade da família em o auxiliar na fase inicial da actividade, não se desculpando com a eventual falta de ajudas de outra natureza para dar corpo às suas ideias.

Torna-se fundamental divulgar estes exemplos de boas práticas e a forma como os mesmos emergem, normalmente afastados das páginas dos jornais, no sentido de os apresentar como modelos inspiradores e de motivação para outros jovens que após a conclusão dos seus estudos se sentem perdidos sobre o rumo a dar à sua vida.

Muitas vezes a solução está próxima, basta ter a agilidade de a percepcionar e a astucia de a pôr em prática, como em boa hora fez o Henrique, a quem formulo votos dos maiores sucessos.

 

PS: Nos últimos dias foi conhecida a decisão da ABAE quanto à atribuição da Bandeira Azul nas praias portuguesas em 2015.

Este ano a Beira Serra surge reforçada neste quadro ao beneficiar da distinção em 3 praias fluviais, da Peneda/Pêgo Escuro e Canaveias (Góis) e Alvôco das Várzeas (Oliveira do Hospital), ou seja, mais uma que em 2014.

Parabéns aos respectivos Municípios pelas apostas consequentes que têm desenvolvido e que estão a dar os seus frutos na consolidação deste território como um destino turístico alicerçado nos seus recursos naturais, contrariando algumas vozes que se erguem a desfavor da atitude pró-activa que os seus responsáveis máximos têm o destemor de adoptar.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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