Só é vencido quem desiste de lutar

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Jan 15

A recente decisão do BCE em injectar mais de 1 bilião de euros na economia europeia, através da aquisição de divida publica, com o objectivo de promover o crescimento económico e a competitividade da zona euro, foi uma medida bem recebida, apesar de tardia, considerando a austeridade imposta nos últimos anos.

É expectável que a redução das taxas de juro nos mercados e consequentemente dos custos de financiamento das economias periféricas, decorrente do aumento de liquidez na economia, venha a exercer um influência positiva sobre o investimento, publico e privado, com impacto sobre os níveis e a qualidade do emprego que, associado à pobreza, constitui o maior flagelo social que afecta actualmente a Europa.

Em todo este processo o sistema bancário terá de exercer um papel muito relevante na maximização dos resultados que se pretendem alcançar, pelo que devem ser implementados mecanismos que garantam que os meios conseguidos com a venda de activos sejam dirigidos prioritariamente para o apoio à modernização, inovação e internacionalização das empresas, possibilitando a criação mais rendimentos e de novos postos de trabalho qualificados e sustentáveis.

Os sinais positivos que se sucederam à apresentação deste Programa, demonstram o quanto esta mudança da politica europeia era necessária para recuperar o espírito de cooperação que presidiu à fundação deste espaço de liberdade, democracia, paz e também de prosperidade, evidenciando que há outros caminhos para a resolução dos problemas que não por via da imposição de regras absurdas dos mais fortes sobre os mais debilitados.

Também a outros níveis se exige uma mudança de atitude, que incorpore uma visão mais solidária, promotora da coesão e da redução de assimetrias que continuam a evidenciar a existência de um país a caminhar a duas velocidades, com naturais prejuízos para quem vive nos territórios de baixa densidade, cuja força reivindicativa continua a não ser suficientemente forte para chamar a atenção dos decisores.

As recentes noticias sobre a falta de soluções para a conclusão dos investimentos do Metro Mondego e do IC6 e IC7, mantendo no esquecimento esta Região onde resistem pessoas a quem é exigido um esforço significativo, contrariam esta tendência de reforço da solidariedade europeia que se começa a vislumbrar.

É, pois, imperioso que no nosso País haja coragem e determinação em lançar uma “bazuca” carregada com medidas em beneficio das regiões mais desfavorecidas, num estímulo ao desenvolvimento económico e social a partir das vantagens comparativas que apresentam, reconhecendo a importância que assumem na promoção da coesão e crescimento harmonioso do todo nacional, transformando em riqueza as oportunidades instaladas nestes espaços.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 27.01.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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