Só é vencido quem desiste de lutar

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Foi recentemente apresentado o Relatório das Insfraestruturas de Elevado Valor Acrescentado, no qual foram identificados 30 projectos prioritários a implementar até 2020, com apoio de fundos comunitários, os quais devem contribuir para potenciar a competitividade da economia nacional e do tecido empresarial, sem negligenciar a coesão territorial.

Contudo, esta é uma dimensão que não está suficientemente presente no documento, já que o mesmo acentua as assimetrias entre o Interior e o Litoral ao esquecer os investimentos que ainda é necessário concretizar nos territórios menos desenvolvidos e que são fundamentais para aumentar a sua capacidade de atracção e proporcionar maior qualidade de vida a quem aí ainda resiste.

A não inclusão neste estudo de vias essenciais para a Região da Beira Serra como o IC6, IC7, IC37 ou o novo traçado da EN 342 entre Lousã e o IC6, passando por Góis, Arganil e Côja, contraria o próprio Relatório quando identifica como “constrangimentos com grau de prioridade elevada, o fecho da malha da rede rodoviária”.

Estas são intervenções há muito reivindicadas por um Território desprezado em matéria de novas infraestruturas rodoviárias, as quais se constituem como as únicas vias de proximidade entre municípios vizinhos e de ligação destes aos principais eixos rodoviários nacionais, quebrando o isolamento em que se encontra.

É tempo de se fazer justiça! Este foi um território compreensivo no tempo em que os investimentos foram realizados no Litoral, onde estavam as pessoas. Agora, que se privilegia a competitividade, não podemos aceitar que os territórios rurais continuem a ser descriminados negativamente perante outras prioridades nacionais.

Na Beira Serra também existem empresas de elevada qualidade que merecem beneficiar das mesmas condições da concorrência, pois o contributo exigido para a superação da crise actual, obriga a um esforço adicional por parte dos estóicos empresários que teimam em manter a sua actividade e os postos de trabalho, num assinalável exemplo de responsabilidade social.

A solidariedade territorial impõe a existência de um nível mínimo de acessibilidades adequadas às exigências de uma Sociedade moderna, passando para os livros de História a referência a vias construídas no séc. XIX, as mesmas que ainda hoje estão ao serviço das populações desta vasta Região.  

Torna-se um imperativo mobilizar todos os agentes da Região na sensibilização do Governo para incluir estes projectos rodoviários no programa de investimentos a realizar até 2020, essencial para uma maior unidade entre os portugueses e para a construção de um País mais coeso e solidário.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 11.02.2014

publicado por miguelventura às 20:00
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