Só é vencido quem desiste de lutar

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Jan 15

“Temos de aproveitar a vida”, esta foi a principal mensagem de uma jovem que nos deixou recentemente e que nos deve fazer reflectir.

Com efeito não faz sentido uma vida, longa ou curta, em que não tenhamos a possibilidade de a viver intensamente, não só a nível individual mas também colectivo, deixando um legado, por mais singelo que seja, na respectiva comunidade.

Uma existência essencialmente marcada por valores como o humanismo, a solidariedade, a entreajuda, a amizade, pela edificação de uma sociedade mais justa e igualitária, onde a presença da inveja, da mesquinhez e do egoísmo seja cada vez mais estranha.

Mas infelizmente não é este cenário que observamos nos nossos dias. O que se passou em França, em que ódios e extremismos se sobrepõem à tolerância e à liberdade de expressão, é o exemplo de que muito há ainda a fazer para superar as desigualdades sociais e promover a inclusão de grupos desfavorecidos.

A nível local estas problemáticas também não podem ser esquecidas, pelo que num quadro de escassez de recursos há que ter a criatividade de encontrar modelos de intervenção que garantam a integração de todos os cidadãos na comunidade, através do incentivo em envolver-se activamente na construção de um futuro mais próspero, económica e socialmente.

Neste contexto a promoção do voluntariado é sem duvida uma das opções a ter em consideração num processo participativo, na medida em que promove a transmissão de um conjunto de competências e boas vontades na resolução de problemas, com a aplicação de meios menos significativos.

É por certo esta a motivação da Associação de Juventude de Góis com a realização de um encontro que releva a importância do voluntariado nas comunidades locais, aliás na senda do trabalho que há muito vem sendo trilhado neste Concelho, que teve a sua expressão mais visível na Gala do Voluntariado promovida pelo Município de Góis em 2010, durante a qual esta Autarquia se dignificou e engrandeceu ao homenagear todos quantos se dedicam e empenham por causas comuns, de forma altruísta e desinteressada.

Esta vocação de entrega e dádiva ao próximo, sendo uma característica inata aos cidadãos destes Territórios que se unem para vencer as suas fraquezas, necessita de ser estimulada e adequada aos tempos actuais, pelo que as acções a desenvolver devem merecer a atenção e o melhor acolhimento por parte dos agentes públicos, no sentido de saber retirar o máximo de beneficio da acção individual em prol do colectivo.

Aproveitar a vida é pois também estar predisposto a, humildemente, partilhar e receber os nobres valores e sentimentos que fazem parte da essência do verdadeiro Ser Humano, fazendo com que outros possam despertar e aderir a esta realidade.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 13.01.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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