Só é vencido quem desiste de lutar

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Vivemos numa Sociedade em que, fruto das especificidades de cada território e das opções politicas que foram sendo tomadas ao longo de muitas décadas, se foram instalando dinâmicas distintas que provocaram diferentes ritmos de crescimento e, consequentemente, graus de desenvolvimento assimétricos.

Decorrente desta realidade e com o objetivo de atenuar as disparidades que foram sendo cimentadas, surgiu a necessidade de se identificarem respostas de cariz excepcional que, pelo grau de inovação e criatividade que incorporam, obrigaram à definição de quadros legais singulares que permitissem a sua implementação em benefício do bem-estar das populações.

É neste contexto que se enquadra a celebração de protocolos atípicos, por exemplo entre a Administração e o sector privado, os quais obedecem naturalmente a preceitos legais que possibilitam a sua entrada em vigor.

Por isso, considero que a existência destes protocolos não pode, não deve, ser o motivo invocado para justificar mais um encerramento de serviços públicos, neste caso na área da saúde, que prestam um assinalável apoio à população que vive no interior, em situação de dependência e isolamento.

Os protocolos poderão sê-lo, mas as pessoas que deles beneficiam nunca, em caso algum, poderão ser consideradas atípicas!

São pessoas com direitos, que pagam os seus impostos e que ao longo da sua vida contribuíram para a riqueza do País, pelo que são merecedores da maior dignidade nos momentos mais difíceis e da solidariedade de quem tem a responsabilidade de criar as condições para que tal suceda.

A decisão da ARS Centro de cessar o apoio médico e financeiro ao funcionamento da Unidade de Internamento Hospitalar de Góis, que há mais de 18 anos se constituiu como embrião da actual rede de cuidados continuados, resultado do espirito visionário do seu ideólogo, Dr. José Cabeças, vem confirmar que as palavras proferidas em muitos discursos de circunstância e escritas em muitos documentos, não passam disso mesmo, palavras.

Com efeito, os continuados actos praticados, de que este é apenas mais um exemplo, contrariam a tese de que a coesão social e territorial no nosso País é uma prioridade assumida pela Administração Central, pois tendem a agravar as referidas desigualdades.

Uma vez mais é o Poder Local, e quem está mais próximo da realidade, que se presta a criar uma resposta eficaz ao problema.

Ao assumir, sem reservas, total disponibilidade para garantir a continuidade de um serviço fundamental para uma condigna qualidade de vida de todos os seus concidadãos, a atitude da Câmara Municipal de Góis e da Misericórdia local, merece ser destacada pela acção responsável que representa.

Conhecendo a vocação solidária dos seus dirigentes, esta sim, não é uma postura atípica!

 

Publicado no Diário de Coimbra em 14.07.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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