Só é vencido quem desiste de lutar

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Nov 15

A nova orgânica governamental fez despertar o olhar para uma realidade que é oportuno evidenciar pela importância que a mesma deve exercer na comunidade Arganilense.

Quando um grupo de pessoas demonstra interesse e manifesta, voluntariamente, disponibilidade para dinamizar e participar em iniciativas com o propósito de acrescentar valor a si próprio e partilhar com outros as suas competências e vivências, visando estimular a aquisição de novos conhecimentos, a promoção da auto-estima, a solidariedade, em suma, o engrandecimento da pessoa humana, estamos por certo a falar de cidadania e de cultura.

Cidadania, porquanto se cumpre o dever de participação activa dos cidadãos na vida da sua comunidade, através da adopção de modelos inovadores de intervenção e de identificação de interesses comuns, contribuindo para a motivação de novos actores para o exercício de uma acção que tende a afirmar e consolidar a educação e qualificação não formal das pessoas como uma prioridade.

Cultura, na medida em que a iniciativa se enquadra na promoção da leitura e do contacto com o livro enquanto veículo promotor de conhecimento e de troca e absorção de saberes e hábitos que se apresentam como valores essenciais para o processo de humanização e civilização, ou seja, que facilitam a vida do Homem no seio da sociedade que o acolhe.

É esta atitude que decorre da actividade promovida pelos “Amigos de Ler”, um grupo de apaixonados pela leitura que se reúne mensalmente na Biblioteca Miguel Torga em Arganil para debater e dissecar temáticas que emergem das suas próprias necessidades e interesses, estejam elas ligadas a uma ideia, uma personalidade, uma página, um local ou, simplesmente, uma memória.

Apesar de uma actividade já com relevância, só recentemente os “Amigos de Ler” adquiriram maior visibilidade, através da realização de uma acção que pretendeu, e conseguiu, não só divulgar e valorizar a obra de uma autor e estudioso da sociedade Arganilense, o Engº Amândio Galvão, mas sobretudo “obrigar” os participantes a reflectirem sobre o que foi e o que é Arganil e qual o papel que cada cidadão deve desempenhar num contexto cada vez mais global e permeável a influências externas, mas que não deve alienar a sua identidade e as suas tradições.

Pelos valores e pelo exemplo inspirador que transporta, para mais num momento em que o individualismo tende a progredir na sociedade, é de louvar e destacar a existência destes modelos de intervenção e participação colectiva, em que cultura e cidadania avançam lado a lado, para mais em territórios onde os mesmos não são acolhidos com a relevância que deveriam merecer, pois, infelizmente, as prioridades ainda estão direccionadas para a satisfação das necessidades materiais.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 03.11.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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