Só é vencido quem desiste de lutar

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Out 15

Muhammad Yunus, Nobel da Paz, definiu como negócio social o que emerge de uma empresa que não visa a maximização do lucro, mas que é projectada para atingir um objectivo social ao qual as tradicionais regras dos mercados não estão preparadas para responder.

Atrevo-me a incluir nesta definição, tendo por base algumas experiências que decorrem no contexto dos territórios de montanha e de baixa densidade em que a dispersão das populações é uma realidade concreta, algumas actividades que se apresentam com um cariz fortemente social, sem esquecer o fim económico que lhe está subjacente.

Apesar do eventual e inexplicável estigma que em alguns possam ainda associar ao exercício da actividade de vendedor ambulante nas aldeias serranas, devem merecer relevância os aspectos positivos que daí decorrem tanto para o bem-estar das populações, como enquanto oportunidade de negócio para quem o desenvolve.    

É neste quadro que pretendo evidenciar a capacidade empreendedora de dois jovens da Beira Serra, que contrariando uma postura passiva e de resignação face às circunstâncias do momento, souberam identificar uma possibilidade com a qual poderão concretizar as suas legítimas ambições, sendo hoje verdadeiros agentes de desenvolvimento rurais que diariamente se disponibilizam para combater o isolamento de quem resiste em continuar a marcar a paisagem com a presença humana.

O facto de, na maioria dos casos, se constituírem como a única presença externa à aldeia durante vários dias, aliado à disponibilidade que sempre manifestam em dar apoio e colaborar com os seus clientes e população em geral, permite-lhes exercer um importante contributo para a fixação desta com uma melhor qualidade de vida, ao promoverem a aproximação e a ligação destas pessoas aos bens e aos serviços de que necessitam para o seu dia-a-dia, e ao transportarem, juntamente com a sua juventude, uma palavra amiga e de conforto, fazendo-as sentir que não estão sós.  

Os exemplos do Joaquim Mateus e do Cláudio Silva, empresários em Cortes de Alvares e Arganil, respectivamente, entre outros, pela sua atitude de abnegação, decorrente da circunstância de juntarem à sua actividade profissional, uma vocação solidária de dedicação ao próximo e a quem mais necessita dos seus préstimos, encaixam na perfeição na personagem do novo “João Semana”, para quem os ganhos económicos não eram o único fim da sua acção.

A sua predestinação para o risco e pro-actividade vem demonstrar que existe um conjunto vasto de oportunidades que devem ser potenciadas em benefício da criação de novas empresas e empregos e que, ao mesmo tempo, representam um factor de desenvolvimento local a não desprezar nestes territórios mais fragilizados, onde todos têm uma responsabilidade social a assumir e a concretizar a bem do todo colectivo.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 06.10.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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