Só é vencido quem desiste de lutar

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As Festas do Concelho de Góis, mantendo a tradição, iniciaram-se com o Seminário promovido pelo Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis em parceria com o Município.

O despovoamento e suas consequências foi o tema escolhido para a reflexão, sendo que nas palavras da Presidente da Câmara Municipal esta é uma preocupação permanente na agenda diária dos Autarcas, e agentes de desenvolvimento acrescento, que não podem “pôr a cabeça na areia”, escamoteando a sua existência.

Mas que futuro? Que soluções?

Fomentar a natalidade junto de uma população envelhecida? Provavelmente não dará os resultados esperados.

Políticas facilitadoras de fixação de população e atracção de novos povoadores? É um caminho a trilhar.

O Poder Local, com criatividade e inovação e dentro do quadro legislativo limitado de que dispõe, tem procurado definir modelos de intervenção que conferem uma nova atractividade aos seus territórios, nomeadamente ao nível de apoio social, adopção de políticas fiscais favoráveis para as famílias e empresas, pactos para o emprego e fomento do empreendedorismo de base local, estímulos à instalação de empresas, acolhimento à comunidade estrangeira, estratégias de marketing territorial e dos recursos endógenos, entre outras medidas, e neste aspecto, tal como outros concelhos, Góis não deixa de ser um exemplo pelo esforço empreendido pelo Município.

Mas tal tem sido suficiente para alterar este “drama”? Infelizmente não e os factos estão aí para o comprovar.

Este trabalho tem de ser complementado com a implementação de políticas públicas a nível central que destaquem a importância dos territórios de baixa densidade no contexto da coesão nacional, conferindo novos mecanismos e abrangência de intervenção a quem está mais próximo destas realidades.

O caso da região de Auvergne em França, recentemente destacado pela imprensa, é a demonstração de como um maior nível de descentralização, autonomia e capacidade de decisão conferida aos territórios, envolvendo poderes públicos e sociedade civil, poderá gerar bons resultados no processo de inversão da sua dinâmica demográfica, captando cidadãos nos centros urbanos já saturados e sem qualidade de vida.

É neste contexto que considero o movimento regionalista da Beira Serra como um relevante parceiro que poderá e deverá exercer um importante papel, ao sensibilizar os descendentes deste Território para as oportunidades instaladas, motivando-os a aqui desenvolver os seus projectos de vida, revertendo o processo migratório protagonizado por pais e avós, já que as relações de afectividade mantidas com a Região são um activo a não desvalorizar e um factor diferenciador face a outros cidadãos que não sentem e vivem a região com a mesma intensidade.

É também desta atitude pró-activa de todos, sem excepção, que a região necessita para se engrandecer.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 11.08.2015

publicado por miguelventura às 20:00
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