Só é vencido quem desiste de lutar

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Já aqui escrevi sobre a importância do envolvimento da diáspora da Beira Serra nos seus processos de desenvolvimento.

Contudo, existe uma população residente, em numero crescente, que não sendo originária da Região aqui se tem fixado e contribuído para criar uma nova e diferenciada dinâmica a nível social, cultural e económico, que também deverá ser envolvida.

Refiro-me à comunidade estrangeira oriunda de países do Norte da Europa, que se encantou pelas belezas naturais da Região e com a hospitalidade das suas gentes e aqui se tem enraizado, seja com o objectivo de vivenciar novas experiências num período da sua vida em que não exercem qualquer actividade, seja para investir em iniciativas empresariais, colocando ao serviço da Beira Serra as suas competências e conhecimentos com projectos diferenciadores de elevada qualidade.

Por outro lado, os investimentos concretizados por estes cidadãos ao nível da recuperação do património rural, nomeadamente de casas abandonadas, permite criar um ambiente rural mais moderno e potenciar um significativo volume de negócio às pequenas empresas de construção civil, a que se alia a agitação da dinâmica comercial das vilas da nossa Região, provocada por este fluxo de novos residentes que ajudam a gerar níveis de receitas mais elevados, minimizando as perdas provocadas pelo êxodo da população local, e ajudando a manter alguns dos empregos existentes.

Num território que sofre de um acentuado despovoamento, que se revela no abandono de aldeias e no envelhecimento da população, garantir condições facilitadoras da integração plena destes imigrantes nas nossas comunidades locais, deverá ser encarado como uma prioridade e como um interessante instrumento de combate a este flagelo, devolvendo à paisagem a presença humana, conferindo-lhe uma nova vida e tornando-a mais atractiva.

Compreendendo a importância dos imigrantes na revitalização das suas comunidades, vários Municípios estão já a desenvolver acções que visam promover o acolhimento da comunidade estrangeira nos seus Territórios, prestando-lhes auxilio na sua integração plena e no contacto com as populações locais, derrubando as barreiras sociais que existem nestes processos. O desenvolvimento de aulas de português, de formação cívica, a realização de mostras interculturais e de espaços de troca de experiências, são exemplos do trabalho já a decorrer, o qual tem merecido uma excelente adesão por parte dos seus destinatários.

Importa pois trilhar e intensificar este caminho de ouvir e sentir o pulsar destes novos povoadores, estimulando-os e motivando-os a partilhar as suas competências, contribuindo para a afirmação de uma Região amiga que sabe receber quem vem por bem e quer construir um futuro mais competitivo e inclusivo.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 12.08.2014

publicado por miguelventura às 20:00
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