Só é vencido quem desiste de lutar

28
Jan 14

Em momentos de grave crise, como o que vivemos, por comodismo ou inércia de quem deve assumir as suas responsabilidades, é normal e recorrente colocar na esfera do Estado e da Administração Central todas as responsabilidades para a resolução dos problemas que afectam as populações.

Pela experiência adquirida, sou dos que acreditam nas virtudes associadas aos modelos que defendem soluções encontradas e aplicadas por parte de quem está mais próximo dos problemas, porque são mais céleres, mais eficientes e garantem uma optimização dos recursos e resultados.

Muitos dos problemas que hoje se colocam no âmbito da Acção Social são novos e têm sobretudo origem no fenómeno do desemprego, afectando pessoas que nunca pensaram estar numa situação dessas, pelo que é fundamental definir intervenções diferenciadas que respondam a estas questões e que evitem o seu agravamento.

As Autarquias Locais, no quadro das suas competências, têm a obrigação de assumir as suas responsabilidades no que concerne a encontrar respostas concretas às muitas e complexas carências, de todos quantos vêem negado o acesso aos seus direitos sociais, complementando o reconhecido trabalho que a Sociedade Civil, através das IPSS e de outras ONG, vai desenvolvendo no terreno.

A contratualização de serviços entre as Autarquias e estas Entidades é um modelo de intervenção que visa a sua capacitação, qualitativa e quantitativa, no apoio a um maior numero de pessoas, enquadrado numa lógica solidária, de valorização do papel que exercem na comunidade e não no quadro meramente assistencialista que tem presidido a estas acções.

Para tal, a dinamização das Redes Sociais e Comissões Sociais de Freguesia apresenta-se como a ferramenta fundamental para que os Municípios e seus parceiros tenham a criatividade de criar e implementar as suas próprias políticas sociais, adaptadas à especificidade de cada território, numa atitude pró-activa, com vista a tornarmos a nossa Sociedade mais inclusiva, mais justa, mais próspera e atenta aos novos e estimulantes desafios do mundo actual.

E existem excelentes exemplos a este nível, decorrentes de um trabalho partilhado e discutido entre os vários actores. Que outros possam ter a coragem de seguir esta postura a bem da comunidade.

Acima de tudo temos de estar sempre prontos para dotar todos os Homens e Mulheres, em cada comunidade, do capital de esperança que lhes permita vencer quaisquer dificuldades e encarar com optimismo os desafios da modernidade.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 28.01.2014

publicado por miguelventura às 20:00

14
Jan 14

O Associativismo surge como uma expressão de organização colectiva que permite alcançar objectivos comuns, devendo ser visto como plataformas de partilha, de estabelecimento de intercâmbios e de expressão da solidariedade.

Nas sociedades actuais sente-se uma permanente necessidade de viver o colectivo, de reforçar os laços sociais que garantam a coesão e a integração dos indivíduos, sendo a capacidade de intervenção associativa de uma comunidade um relevante sinal do seu nível de cultura democrática.

O estímulo para uma crescente participação das populações advém do incentivo para que a mesma trabalhe colectivamente, actue como um todo, saiba gerir as diferentes sensibilidades, no sentido de encontrar soluções para os problemas e evitar situações que os agravem ao ponto de os tornar irresolúveis.

A este nível, a revitalização de territórios cuja acção se baseia na abordagem LEADER assente na autonomia de decisão, na inovação, numa lógica ascendente, participada, com uma missão de cariz solidário, em proximidade e cooperação, está na essência das Associações de Desenvolvimento Local que têm assumido um importante papel mediador entre as funções do Estado e do livre mercado, respondendo a necessidades que não são cobertas por qualquer destes sectores.

O seu papel é imprescindível para promover a união das comunidades em torno de interesses e vontades comuns, reforçando a sua capacidade reivindicativa e a sua força colectiva. Juntos fazemos mais e melhor.

A contratualização entre o Estado e as Organizações da Sociedade Civil para a implementação de actividades especificas, surge assim como um modelo mais eficaz de prestar serviços básicos às populações, contornando a lógica assistencialista que tradicionalmente está associada a esta relação.

Mas para isso é fundamental que cada comunidade tenha o seu projecto e ideal. Um projecto que conduza e oriente a sua acção, encaminhando-a num sentido claro e directo, demonstrativo da sua competência na crescente rentabilização dos escassos recursos que tem à disposição.

Estas Associações, face à sua experiência na construção e implementação de estratégias locais participadas, devem ser merecedoras da confiança do Estado no processo de gestão de políticas públicas que estarão em vigor no período 2014-2020, contribuindo deste modo para a consolidação de um desenvolvimento harmonioso e integrado que garanta a sustentabilidade dos territórios.

O futuro constrói-se “com” e não “para”, pelo que a participação activa dos actores locais e dos cidadãos é fundamental para o engrandecimento e reforço da coesão do todo nacional, dando forma aos princípios do DLBC – Desenvolvimento Local de Base Comunitária como metodologia de aplicação dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 14.01.2014

publicado por miguelventura às 20:00

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