Só é vencido quem desiste de lutar

27
Jan 15

A recente decisão do BCE em injectar mais de 1 bilião de euros na economia europeia, através da aquisição de divida publica, com o objectivo de promover o crescimento económico e a competitividade da zona euro, foi uma medida bem recebida, apesar de tardia, considerando a austeridade imposta nos últimos anos.

É expectável que a redução das taxas de juro nos mercados e consequentemente dos custos de financiamento das economias periféricas, decorrente do aumento de liquidez na economia, venha a exercer um influência positiva sobre o investimento, publico e privado, com impacto sobre os níveis e a qualidade do emprego que, associado à pobreza, constitui o maior flagelo social que afecta actualmente a Europa.

Em todo este processo o sistema bancário terá de exercer um papel muito relevante na maximização dos resultados que se pretendem alcançar, pelo que devem ser implementados mecanismos que garantam que os meios conseguidos com a venda de activos sejam dirigidos prioritariamente para o apoio à modernização, inovação e internacionalização das empresas, possibilitando a criação mais rendimentos e de novos postos de trabalho qualificados e sustentáveis.

Os sinais positivos que se sucederam à apresentação deste Programa, demonstram o quanto esta mudança da politica europeia era necessária para recuperar o espírito de cooperação que presidiu à fundação deste espaço de liberdade, democracia, paz e também de prosperidade, evidenciando que há outros caminhos para a resolução dos problemas que não por via da imposição de regras absurdas dos mais fortes sobre os mais debilitados.

Também a outros níveis se exige uma mudança de atitude, que incorpore uma visão mais solidária, promotora da coesão e da redução de assimetrias que continuam a evidenciar a existência de um país a caminhar a duas velocidades, com naturais prejuízos para quem vive nos territórios de baixa densidade, cuja força reivindicativa continua a não ser suficientemente forte para chamar a atenção dos decisores.

As recentes noticias sobre a falta de soluções para a conclusão dos investimentos do Metro Mondego e do IC6 e IC7, mantendo no esquecimento esta Região onde resistem pessoas a quem é exigido um esforço significativo, contrariam esta tendência de reforço da solidariedade europeia que se começa a vislumbrar.

É, pois, imperioso que no nosso País haja coragem e determinação em lançar uma “bazuca” carregada com medidas em beneficio das regiões mais desfavorecidas, num estímulo ao desenvolvimento económico e social a partir das vantagens comparativas que apresentam, reconhecendo a importância que assumem na promoção da coesão e crescimento harmonioso do todo nacional, transformando em riqueza as oportunidades instaladas nestes espaços.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 27.01.2015

publicado por miguelventura às 20:00

13
Jan 15

“Temos de aproveitar a vida”, esta foi a principal mensagem de uma jovem que nos deixou recentemente e que nos deve fazer reflectir.

Com efeito não faz sentido uma vida, longa ou curta, em que não tenhamos a possibilidade de a viver intensamente, não só a nível individual mas também colectivo, deixando um legado, por mais singelo que seja, na respectiva comunidade.

Uma existência essencialmente marcada por valores como o humanismo, a solidariedade, a entreajuda, a amizade, pela edificação de uma sociedade mais justa e igualitária, onde a presença da inveja, da mesquinhez e do egoísmo seja cada vez mais estranha.

Mas infelizmente não é este cenário que observamos nos nossos dias. O que se passou em França, em que ódios e extremismos se sobrepõem à tolerância e à liberdade de expressão, é o exemplo de que muito há ainda a fazer para superar as desigualdades sociais e promover a inclusão de grupos desfavorecidos.

A nível local estas problemáticas também não podem ser esquecidas, pelo que num quadro de escassez de recursos há que ter a criatividade de encontrar modelos de intervenção que garantam a integração de todos os cidadãos na comunidade, através do incentivo em envolver-se activamente na construção de um futuro mais próspero, económica e socialmente.

Neste contexto a promoção do voluntariado é sem duvida uma das opções a ter em consideração num processo participativo, na medida em que promove a transmissão de um conjunto de competências e boas vontades na resolução de problemas, com a aplicação de meios menos significativos.

É por certo esta a motivação da Associação de Juventude de Góis com a realização de um encontro que releva a importância do voluntariado nas comunidades locais, aliás na senda do trabalho que há muito vem sendo trilhado neste Concelho, que teve a sua expressão mais visível na Gala do Voluntariado promovida pelo Município de Góis em 2010, durante a qual esta Autarquia se dignificou e engrandeceu ao homenagear todos quantos se dedicam e empenham por causas comuns, de forma altruísta e desinteressada.

Esta vocação de entrega e dádiva ao próximo, sendo uma característica inata aos cidadãos destes Territórios que se unem para vencer as suas fraquezas, necessita de ser estimulada e adequada aos tempos actuais, pelo que as acções a desenvolver devem merecer a atenção e o melhor acolhimento por parte dos agentes públicos, no sentido de saber retirar o máximo de beneficio da acção individual em prol do colectivo.

Aproveitar a vida é pois também estar predisposto a, humildemente, partilhar e receber os nobres valores e sentimentos que fazem parte da essência do verdadeiro Ser Humano, fazendo com que outros possam despertar e aderir a esta realidade.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 13.01.2015

publicado por miguelventura às 20:00

Janeiro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO